Nunca fui serena,/Muito menos, doce./Sempre me arderam os sentidos/Preciso que saibam disso/Vocês que lêem o que tenho escrito/Talvez sejam doces e serenos/E possam me dar um pouco/Da paz que persigo.
Éramos treze pessoas calmas/ em torno da mesa pesada/ desfazíamos a cada garfada/ o dinheiro, o amor, o desejo e dor./ Só, o brinquedo, ao rés do chão, estava.
se não pode amar quem te ama tanto, reza e chora, porque talvez este amor não agüente viver sem ser amado e vá embora.
as crianças não mudam/ tornam-se adultos.
Os amanhãs dependem da chuva de ontem /e da reza da noite ausente de cores/
Em cima do alto morro da vergonha tem sempre alguém dizendo: mate o leão!
Em cima do alto morro da vergonha tem sempre alguém dizendo: mate!
letras como tintas seriam meio ridículas... yeróhdooarjoaoooor jjjosrr aooost... leria um quadro assim?
verdade é ver a semelhança
que vida de verdade foi a que vivi/que homens foram aqueles que amei?/ e que trovas eu compus/ sem saber quem era eu?// E hoje que sei/ para quem contar se já não amo tantos homens/ se já não vivo tantas vidas/ e já não escrevo para descobrir-me?
O dia em que cheguei a me declarar a um homem/ este se declarou distante/ o dia que eu neguei um homem/ amou-me desde aquele instante/ o dia que eu casei com um homem/ todos os outros se tornaram amantes.
já tentou pegar a vida?/ É uma coisa impossível/ Ela está onde?/ Já pensou nisso?/ Na vedade, onde está você?/ Não digo o seu corpo/ Que este é muito fácil de tocar/ digo, você?/ Quê, não sabe quem é você?/ Pois é aí que está a vida./ É impossível de alcançar.
e o inverno chegou/ o vento úmido queimando a pele/ a relva nos pintando os calcanhares/ as aves negras/ o singrar dos olhos/ os espinhos/ os medos/ onde está nosso verão?
Vamos fugir deste frio e desta umidade. Vamos procurar o barqueiro que nos leve desta cidade. Senhor, barqueiro, quanto quer para levar-me? Sim e meu companheiro de viagem. Vamos onde o sol na pele arde.
A vida é dura para quem dá mole.
Não há infortúnio que não seja em si uma graça.
Ai de mim se cogito a inexistência de Deus... Toda vez que não creio, creio ainda mais
que hora morta é esta que se configura em pedra?/
Toda vez que noto a realidade, vem-me um poema que dela me afasta. E isto é o mais real em mim./As vozes soam estranhas quando não seguem para nós mesmos. quando se perdem em diálogos de outrem. e ficamos como que parados olhando o estalar destes outros passos/e nesta minha solidão eu sigo. procurando não ter pena de mim. lembrando que a solidão é passageira. um dia vem alguém e chega, senta perto e abraça o nosso ombro./Enquanto isso vou comendo minha feijoada no Lamas, sorrindo e dizendo pro garçon, faz uma quentinha, que hoje foi um a zero para a comida. Ou deitada num banco no jardim botânico, nem aí se passam. Meu jornal é bem mais legal. E mostro minha meia para quem passe por mim, estou deitada no jardim, e leio a primeira página de um jornal, e quem passa, pensa que sou mais feliz... quem diria.../isso é que importa nesta manhã de sábado, não me importo se meu cabelo está arrepiado e não pareço muito fina para as jovens famílias que me olham de soslaio e pensam, será que se eu estivesse só estaria aqui? Quando me separar saberei como levar a vida, como esta aí, quem nem está aí... Será?/e quem sabe se levar a vida assim for mesmo genial? Dar uma volta na estufa das insetívoras e rir da historinha para criança contando como que uma mosca dança...Pois se for assim, até que ando acertando/ ainda que, triste, estes meus passos vá contando...
tudo que fora esquecido por alguém, jogado a um canto, recoberto de poeira e mofo, tudo isso, há de ser tesouro para um outro povo... Pelo menos é esta a esperança de nós, os renegados.
quem me ensinou a amar estrelas foi meu avô, quem me ensinou a esquecê-las foi... Quem? Quem foi mesmo que tirou de mim toda a vontade? Quando? Sim, agora eu lembro, fui eu mesma.
Se Deus deixasse de existir de repente, deixaria de existir...
as mais estranhas sensações me acometem quando estou sozinha. Lembro de um homem. Nem sei quem é, mas o conheço. Seja talvez o que consegui reunir na minha vida o que me diga ser homem. O meu tipo de homem, se me permitem dizer. Na verdade, o que eu vejo como homem. E ele é você.
A solidão corta e embota. A solidão brota. De repente você se vê só. Aí você encontra uma pessoa muito especial. Geralmente não se dá muita importância a ela, a esta pessoa. Até que um dia, quando você já tenha se acostumado a estar só, mesmo acompanhada, quando você um dia quiser estar só, mas, não ser possível, talvez neste dia, você se lembre que quem bateu a tua porta e abrigor foi você mesmo. E não será tarde para reconciliar-se...
só está sozinho aquele que bate a porta que não lhe abrem
Sou ali
Tudo silencia e gorjeia
Como gorjeasse o nada
No entanto, gorjeia tanto este silêncio
que me tange e não me rompe
que poeta me vi nascer para cantá-lo.
Sou o cerne deste silêncio.
Onde ele toca, aqui estou.
Ainda temo o silêncio/ por mais que ele se mostre dócil/ amigo e generoso, eu me amedronto/ e interrompo com a insanidade/ o que deveria ser o nosso encontro./Quanto mais escuto meu silêncio/ mais solitária vou restando/ e o mundo só planeta vai virando (elaine pauvolid)
No estado em que me encontro, traz-me gosto encontrar-te. Portanto, deita, põe-te a mesa, que me ponho a falar-te. Estou certa no meu deserto que não te conheço. Mas se a ti escolho, é que estás a frente de meu olho. E aprecio contar-te agora que falo sobre mim. Sendo nós dois dois iguais, é sobre ti também minha mensagem. Estar flagelada neste silêncio, querendo entendê-lo é por certo uma forma de querência. E por que uns nascem assim e outros vivem ocupados? Talvez porque unidos estivessem o dom e o que me foi dado. Dado pela família, trazido do além. Se solidão me deram pai e mãe, melhor fizeram porque assim pude ouvi-lo. Mas, será que o silêncio meu ouvido igualmente teria escutado se meus pais outros destino me tivessem reservado? Ouça bem, meninha, que os pais já tiveram dado muito pior aos rebentos rebentados, portanto, te conforma com a sapiência e de nos versos revelar o que há tanto tens estudado, que é a forma e o silêncio que sempre esteve a seu lado. (elaine pauvolid 22hs33min)
ouça os passos de alguém/ ou uma barra de ferro ao cair no chão/ ouça de novo e com atenção/ os passos de alguém/ a barra de aço sobre o chão/ ouça bem/ e o que resvala diga então?
Em meio há tanta coisa neste mundo o que mais me chama a atenção é o silêncio.
a tela em branco é o silêncio. o contorno que o lápis faz, não é contorno, é linha e o silêncio o desenho que se adivinha.
Olhar já basta a vida/Escutar é silêncio.
E depois que a vemos/ a sensação que temos/ é que acabou./ então tememos/ mas, logo vemos/ que a vida apenas começou.
A vida só tem um sentido possível: a morte.
Felizes os que conseguem ser.
A musa do artista é a verdade e o capitalista é apaixonado pelo blefe
caminho no tempo para a morte e a temo. nada consegue parar esta queda, e eu tento. e de viver apavorada já nem me lembro que estamos todos nesta jornada. Num grito só, por cima deste silêncio (elaine pauvolid)
A paixão é o mais doce e salutar engano
Já não se trata de ser ou não ser.
quem encontro nesta noite
será guerreiro, forasteiro, amigo, brasileiro, algum príncipe ou prisioneiro?
ou encontro a solidão, sempre ela a companheira, quase uma freira a quem decido contar meus segredos de lealdade?
Parece ser ela minha sereia, a quem encanto com meu desamor em tempestade...
E não estarei eu por ela encantada?
A solidão é uma senhora que mora comigo./ Sempre muito atenta a tudo que digo./ E comunga geralmente das minhas opiniões./ Tem o rosto sempre fechado/ e a boca enrugada/ pouco levanta os olhos do bordado/ que sempre a tem ocupado/ desde o dia em que perdi meu último namorado. (noiva da solidão, elaine pauvolid, em 07/05/05 às 21hs03min)
Pouco o quase nada me tem solicitado/ na penumbra permanecemos lado a lado/ a cada dia recomeçado/
eu e a penumbra no meu quarto
Procuro alguém que esteja a minha procura./ e que ainda não me tenha encontrado/ Este ser que eu procuro/ de preferência deve ser mais alto que eu e um pouco magro/ Também gostaria que tivesse a mesma idade, se não, um pouco menos ou um pouco mais/ e que ao visitar os mesmos museus que eu/ em mim tivesse já pensado antes mesmo de me procurado./ além disso esta pessoa deve ser leve de alma e generosa de coração./ deve ser incapaz de ferir qualquer vaidade/ e ter habilidade para o humor./ Se alguém tiver conhecimento deste que procuro/ avise que leu este poema/ e que a mulher que o escreveu/ de onde está a ele acena. (elaine pauvolid)
se você começar a assinar seu nome/ não em cheques ou documentos para o cartório/ mas em poemas, em telas, em música/ se você assim o fizer/ com maestria e talento/ fique atento/ a qualquer momento você deixará de ser o que assina/ para se tornar o que assina abaixo./ e tome cuidado, porque de agora em diante/ ele já não será seu empregado. (elaine pauvolid)
Não pense em mim como uma poeta/ pense em mim como uma mulher/ que vivi no século XX e no início do XXI/ Sim, desta forma mesmo/ Se for difícil, basta lembrar-se das muitas que vê por aí/ andando de um lado ao outro,/ folheando os livros, estando distante o suficiente./ E então você estará pronto para começar a ler-me. (elaine pauvolid)
Nasci no verão num país calorento/ mas, estava na serra/ e tenho o rosto sardento/ em cada pinta que trago/ levo um ente meu ao meu lado/ de um lugar bem gelado/ mas que tem os pés guardados./ Deste lugar eu trouxe a espada/ com ela decepo os que me querem decepar/ sou antipática/ tenho cara de estrangeira/ mas sou tão brasileira como qualquer um que tenha a pele negra/ e pergunto a quem lê/ Há no Brasil alguém que mais brasileiro que os outros possa se dizer?/ Pergunto isso de frente ao mar e com saudades da África/ um lugar que nunca visitei/porque sempre estive lá. (elaine pauvolid)
Sempre andei nua/ e nunca me recriminaram/ até que um dia me vestiram/ e passei a ser mais uma. (elaine pauvolid)
De vez em quando gosto de ser má/ mas, não pratico a maldade/ apenas sinto o gosto delicado sobre a língua/ depois a recolho/ deposito em mim mesma essa vontade/ e lá vem de novo/ e dura só o tempo de você me pegar. (elaine pauvolid)
quando eu olho para trás eu vejo estrelas/ não as do firmamento/ mas, as dos filmes mudos/ cheias de sal e pó/ e com os olhos lacrimejantes/ pelo ópio e pela dor/ quando olho para trás eu me vejo num espelho/ e mergulho nele apreciando me cortar... (elaine pauvolid)
os bonzinhos costumam ter medo de mim, / os canalhas se transformam em sal quando me olham nos olhos/ os indecisos é que vivem me vigiando/ e estão em todos os lugares em que moro. (elaine pauvolid)
o que a vida tem me dito/ nem acredito/ de tanta verdade escancarada./ o sol sobre a a pedra molhada/ para mim pedra dourada/ em que deito mão espalmada,/ movo-me cansada/ de querer entender/ o que de perto nunca diz nada/ e me faz gozar à lágrima.
Proteção: A vida também me diz de seus acessos/ e quão perigosos seus abismos/Atravessá-la sem extraviar-me/só estando muito protegida .(elaine pauvolid)
Alguém tem a chave?
Quem a tiver
Traga-me
Se puder entrega-la, traga-me.
Não é a gramática que aprisiona o poeta,
É o gramático.
não é a gramática que aprisiona o poeta... é o gramático... ele não perde tempo em ridicularizá-lo, diminuí-lo. O que o gramático gostaria é que a língua fosse gramática. mas, ela é devassa. (elaine pauvolid)
posted by ELAINE PAUVOLID at 9:06 PM